Coimbra, 7.vii.2024
Dois motivos para celebrar e aproveitar melhor o tempo: É pré-Outono e
os estudantes não estão em Coimbra. Depois chega Setembro e o
meu vizinho do lado, fora todos os novos que poderão chegar. Sei lá eu
que vida terei em Setembro. Portanto, é tempo de celebrar a paz e o
pré-Outono. Há quem lhe chame Verão, mas eu preciso de um pouco de
esperança no calor.
Além de ser tempo de celebrar, também é tempo de me preparar para alguns anos com leituras obrigatórias. Neste momento, os meus hábitos de leitura não têm nem disciplina nem rotina. Numa espécie de bulimia literária, leio durante breves exageros, interrompidos por pausas eternas. Piora o meu caso o facto de querer sempre tirar notinhas aos livros. Faço umas marquinhas a lápis, com intenção de no fim coleccionar tudo num sítio qualquer. Este sítio qualquer às vezes até existe, mas acabo por deitá-lo fora, por não gostar das anotações, ou da minha letra, ou da caneta, ou do caderno. Na maior parte do tempo, este sítio qualquer é somente um "depois" que nunca chega.
Além de ser tempo de celebrar, também é tempo de me preparar para alguns anos com leituras obrigatórias. Neste momento, os meus hábitos de leitura não têm nem disciplina nem rotina. Numa espécie de bulimia literária, leio durante breves exageros, interrompidos por pausas eternas. Piora o meu caso o facto de querer sempre tirar notinhas aos livros. Faço umas marquinhas a lápis, com intenção de no fim coleccionar tudo num sítio qualquer. Este sítio qualquer às vezes até existe, mas acabo por deitá-lo fora, por não gostar das anotações, ou da minha letra, ou da caneta, ou do caderno. Na maior parte do tempo, este sítio qualquer é somente um "depois" que nunca chega.
Juntando uma coisa à outra, decidi fazer um plano de leitura. É o meu tipo de celebração. Começa hoje e termina a 7 de Setembro. Excluindo os Sábados, isto dá-me 77 dias. É que nem fiz de propósito. Início e fim a dia 7, 77 dias.
O objectivo é ler 30 páginas por dia. A cada trinta páginas tenho de fazer as minhas anotações, sem desculpas. Posso ler mais do que trinta páginas por dia, mas a cada trinta páginas preciso de fazer as anotações, só depois é que continuo. Se tiver um desempenho de 80% já fico satisfeita.
Não tenho intenção nenhuma de ler só para alcançar um número de livros ou de páginas. Nunca me importei com isso, não há-de ser agora. A questão prende-se mesmo nestas duas coisas: Ter uma rotina de leitura equilibrada, porque sinto falta; preparar-me para uma fase onde ler textos pesados vai fazer parte do meu dia-a-dia.
Este blogue servirá de registo. Hoje em dia ninguém lê blogues, vou tirar proveito disso.
A lista de livros desta celebração de pré-Outono é a seguinte:
.Life Time, Russel Foster
Pretendo ler de enfiada. Que bonito começar a lista logo com uma excepção... Mas é isto, vou lê-lo de enfiada. Não vou tirar notas deste livro, vou deixá-lo sublinhado lateralmente, por ter algumas explicações mais técnicas, com gráficos, tabelas. Vou usá-lo para consulta, não preciso de anotações.
.Marie Curie — A Biography, Eve Curie
Faltam-me 236 páginas para chegar ao fim. Parei, porque fiquei mesmo triste quando ela perdeu o marido. Já sabia que ela tinha passado por isto, mas ler a história dela deixou-me mais sensível a esta separação. Foi triste. Eles eram amigos. Bem, vou reler algumas páginas e continuar até ao fim.
.A Arquitectura do Bacalhau, André Tavares e Diego Inglez Souza
283 páginas com muitas imagens.
.O Caminho para a Servidão, F. Hayek
282 páginas. Ponho este na lista, porque em altura de ideias tudo é fácil. Não vou estar de férias e as anotações deste livro hão-de dar trabalho. Mas fica aqui na lista, porque estou a adiar há tantos anos.
.A Estética da Arquitectura, Roger Scruton
295 páginas de letra pequenina.
.A Short History of Modern Philosophy, Roger Scruton
310 páginas de uma daquelas impressões da Amazon que nos faz apoiar a cabeça na mãos, de onde só saímos quando já fixámos redemoinhos no cabelo. Também não farei anotações, mas sim um índice meu.
.Live Not by Lies, Rod Dreher
253 páginas. Também li a introdução, mais algumas páginas, quando me ofereceram o livro no ano passado.
.The Prophets, Abraham J. Heschel
625 páginas. Gosto muito deste autor e quero aproveitar a leitura. Li dois outros livros dele entre parques de estacionamento, a ouvir a Antena 2. Por um lado é engraçado ter a imagem visual daqueles parques de estacionamento quando penso nos livros, associar-lhes programas da rádio, e tal. Mas este livro em particular gostava que fosse uma cena mais: ou a minha casa, ou a apanhar bons ares. (Mas agora tive tantas saudades daqueles parques de estacionamento, à espera.)